Boeing: quando o inesperado acontece

Como uma crise com um único produto, seguida da pandemia, mudou as finanças de uma grande empresa.

Última atualização: setembro de 2026

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A situação

A Boeing é uma das duas maiores fabricantes de grandes aviões de passageiros do mundo. Em 2018, a receita e o lucro chegaram a recordes, e boa parte dos negócios futuros dependia do 737 MAX, uma nova versão do seu avião mais vendido.

Depois de dois acidentes com o 737 MAX, em outubro de 2018 e março de 2019, órgãos reguladores do mundo todo proibiram o avião de voar em março de 2019. A Boeing ficou cerca de 20 meses sem poder entregar novos 737 MAX aos clientes, até que o regulador dos EUA liberou o avião para voar de novo em novembro de 2020.

Depois, em 2020, a pandemia quase parou as viagens aéreas, e muitas companhias aéreas adiaram ou cancelaram pedidos.

Os números

Boeing (BA), anos fiscais de 2017 a 2021

Métrica20172018201920202021
Receita$ 94,0 bi$ 101,1 bi$ 76,6 bi$ 58,2 bi$ 62,3 bi
Crescimento da receita+0,5%+7,6%−24,3%−24,0%+7,1%
Lucro líquido$ 8,46 bi$ 10,5 bi−$ 636,0 mi−$ 11,9 bi−$ 4,20 bi
Fluxo de caixa livre$ 11,6 bi$ 13,6 bi−$ 4,28 bi−$ 19,7 bi−$ 4,40 bi
Dívida no fim do ano$ 11,7 bi$ 15,7 bi$ 27,1 bi$ 63,4 bi$ 57,9 bi

O que os números mostravam

A receita caiu dois anos seguidos e a empresa registrou prejuízos. O ficou muito negativo. Para continuar pagando as contas, a Boeing pegou muitos empréstimos, e a no fim de 2020 era cerca de quatro vezes a do fim de 2018.

O que aconteceu depois

O 737 MAX voltou a voar e as viagens aéreas se recuperaram, mas nos anos seguintes a Boeing continuou enfrentando problemas de qualidade na produção e atrasos, e a dívida continuou muito mais alta do que antes da crise.

O que era incerto na época

  • Quando, e se, os reguladores iam permitir que o 737 MAX voasse de novo.
  • Por quanto tempo a pandemia ia manter as pessoas longe dos aviões.
  • Se os clientes iam manter os pedidos ou levá-los para um concorrente.

O que este caso mostra

Acontecimentos que nenhuma demonstração financeira poderia prever podem mudar os resultados de uma empresa muito rápido. Quando isso acontece, dívida e caixa ficam especialmente importantes: uma empresa com uma reserva grande tem mais tempo e mais opções do que uma que precisa pegar empréstimos para atravessar a crise. Um ano forte, como o 2018 da Boeing, não protege a empresa do que vem depois.

Os números vêm dos relatórios anuais que a empresa entregou à SEC, calculados com as fórmulas do StockLab. Os acontecimentos descritos são fatos públicos divulgados na época. Este caso serve para aprender. Ele descreve o passado e não é uma opinião sobre a empresa hoje.

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