Kraft Heinz: uma grande fusão e uma grande baixa contábil

Como uma das maiores fusões do setor de alimentos apostou no corte de custos, e o que aconteceu quando suas marcas famosas perderam valor no papel.

Última atualização: outubro de 2026

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A situação

Em 2015, a Kraft e a Heinz se juntaram na Kraft Heinz, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, com marcas como o ketchup Heinz, o cream cheese Philadelphia e a Oscar Mayer. A foi montada por dois grandes investidores: a Berkshire Hathaway e a 3G Capital, uma gestora fundada por brasileiros.

A 3G era conhecida por cortes de custos profundos. O plano era deixar a empresa combinada mais lucrativa eliminando custos enquanto as marcas conhecidas continuavam vendendo. As margens de fato subiram depois da fusão, mas as vendas pararam de crescer, porque muitos consumidores passaram a preferir alimentos mais frescos e as marcas próprias dos supermercados.

Em fevereiro de 2019, a Kraft Heinz anunciou uma baixa contábil de cerca de $ 15 bilhões no valor de marcas como Kraft e Oscar Mayer, cortou o em cerca de um terço e revelou uma investigação da SEC sobre a forma como tinha contabilizado algumas compras. O preço da ação caiu cerca de um quarto no dia seguinte.

Os números

Kraft Heinz (KHC), anos fiscais de 2016 a 2021

Métrica201620172018201920202021
Receita$ 26,3 bi$ 26,1 bi$ 26,3 bi$ 25,0 bi$ 26,2 bi$ 26,0 bi
Crescimento da receitaNão consta nos dados da SEC para esse ano−0,9%+0,7%−4,9%+4,8%−0,5%
Lucro líquido$ 3,60 bi$ 10,9 bi−$ 10,2 bi$ 1,94 bi$ 356,0 mi$ 1,01 bi
Fluxo de caixa livre$ 1,40 bi−$ 693,0 mi$ 1,75 bi$ 2,78 bi$ 4,33 bi$ 4,46 bi
Dívida no fim do ano$ 32,4 bi$ 31,5 bi$ 31,2 bi$ 29,2 bi$ 28,3 bi$ 21,8 bi

— Não consta nos dados da SEC para esse ano.

O que os números mostravam

A receita quase não se mexeu por anos. O lucro muito alto de 2017 veio principalmente de um benefício fiscal pontual depois que os EUA reduziram o imposto sobre as empresas. O prejuízo de 2018 veio principalmente da baixa contábil: um lançamento que reconheceu que as marcas valiam menos do que o valor registrado, e não dinheiro saindo da empresa naquele ano. A continuou alta depois da fusão, o que deixou menos folga quando as vendas pararam de crescer.

O que aconteceu depois

Um novo CEO assumiu em 2019, e a empresa passou a investir mais nas marcas em vez de principalmente cortar custos. Vendeu alguns negócios, como as castanhas Planters, e pagou boa parte da dívida. Na pandemia, as pessoas comeram mais em casa, o que ajudou as vendas em 2020. A receita ficou praticamente estável nos anos seguintes e, em 2025, a empresa fez outra grande baixa contábil e anunciou um plano para se dividir em duas empresas.

O que era incerto na época

  • Se marcas conhecidas conseguiriam manter os clientes enquanto os gostos mudavam.
  • Quanto custo ainda dava para cortar sem enfraquecer as marcas.
  • Se viriam novas baixas contábeis, já que as marcas continuavam registradas por valores altos.

O que este caso mostra

Cortar custos pode aumentar as margens por um tempo, mas não faz as vendas crescerem. Uma baixa contábil é uma perda no papel que mostra que as expectativas anteriores para um negócio eram altas demais; ela não consome caixa no ano em que é registrada, mas diz algo sobre quanto o negócio consegue lucrar. O caso também mostra por que a dívida pesa mais quando um negócio para de crescer.

Os números vêm dos relatórios anuais que a empresa entregou à SEC, calculados com as fórmulas do StockLab. Os acontecimentos descritos são fatos públicos divulgados na época. Este caso serve para aprender. Ele descreve o passado e não é uma opinião sobre a empresa hoje.

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